“— Filha porque está chorando?
— Ele me deixou papai. Não sei o que fazer sem ele.
— Sabe sim minha pequena. Vai fazer como todos os dias. Acordar pelas manhas sorrindo, e transbordar alegria o resto do dia. E se precisar vai chorar, porque um pouco de lágrimas não faz mal a ninguém.
— Não sei ser feliz sem ele. Não adianta pai.
— Eu posso te provar que sabe ser até mais feliz sem ele aqui.
— Não vai conseguir…
— Quer apostar?
— Tente.
— Lembra do Teddy?
— O meu ursinho de pelúcia que ganhei do senhor?
— Esse mesmo.
— Como esquecer? Eu fiquei com ele até os onze anos de idade. E olha que o ganhei quando tinha sete. Ou era seis?
— Cinco na verdade. Você adorava sem ursinho, certo?
— Não papai, eu o amava. Era meu melhor amigo.
— Era apenas um ursinho minha filha.
— Mas era melhor do que qualquer pessoa.
— Pois bem. Cadê ele agora?
— Perdido, destruído. Em algum lugar naquele monte de lixo.
— Ele estragou. Não ia durar pra sempre.
— Eu sei. Lembro que chorei quando mamãe me disse que não tinha concerto, que tava na hora de jogar ele fora.
— Verdade, chorou que nem estava chorando agora pouco.
— O que está querendo dizer? Ele não é o Teddy papai.
— Mas você também amava o Teddy. E não morreu por ficar sem ele.
— Teddy era um ursinho.
— Que era melhor do que muitas pessoas, você mesma disse. Era especial pra você. Seis anos agarrada a um ursinho inanimado. Quanto tempo durou entre você e ele mesmo? Três meses filha.
— Que foram especiais demais pra mim. Não queria que tivessem um fim.
— Nada dura pra sempre. Aposto que não queria que o Teddy tivesse partido também.
— Não mesmo.
— Mas se acostumou a viver sem ele. Porque o mundo estava muito além daquele ursinho de pelúcia. Do mesmo jeito que tem muito mais nesse mundo além daquele babaca que te deixou. Que nunca te mereceu.
— Papai…
— Eu disse que ia te provar.
— E conseguiu.
―
Conclusões tiradas de um ursinho de pelúcia (d-esmoronar)